Fui Despedida, com efeitos imediatos...hoje
- Mónica Almeida
- Jun 17, 2024
- 2 min read
Updated: Oct 28, 2024

Num universo paralelo ou, quem diria, numa empresa qualquer (especialmente as pseudo-angolanas: Aquelas geridas por não angolanos e... atenção, nada contra) a labutar em solo angolano, o mérito é, ao que parece, uma ameaça. Talvez tenha sido uma ameaça ao meu exaltado Superior hierárquico, que, ao vestir a sua capa de hierarquia e insegurança, achou por bem que o talento e a competência mereciam um bilhete de ida sem volta.
Claro, talvez esteja ser um pouco injusta. Afinal de contas, sempre há a remotíssima hipótese de que, num acto magnânimo da direcção, pretenderam aliviar-me do fardo pesado que é a competência, para que eu pudesse explorar novos horizontes... de mediocridade, quem sabe.
Mas a cereja no topo do bolo foi, sem dúvida, o breve interlúdio protagonizado pelo RH que num sussurro quase imperceptível, tentou avisar-me que um acordo mútuo, com um sabor subtil de coacção, seria uma excelente ideia. Acredito que tenham sido estas as orientações superiores... (suspiro fundo aos gestores e directores que se limitam a fazer-lhes o que lhes é dito).
Estúpida e ingénua, claro está, assinei. Confiava nas pessoas, o que revela o quão terrivelmente subequipada eu estava para a crua realidade do neo-corporativismo.
Nada contra a esperança feminina... quando temos que sacrificar uma dona Esperança, para manter a minha esperança...Sororidade, dizem....
Mas vamos ao cerne da questão: vivemos numa era onde a incompetência reina e é promovida com soberano entusiasmo. A valorização desmedida do que vem de fora tornou-se uma norma inquestionável. Importar "talento" que, na verdade, mais não quer do que "escoar em África" o que não serve em mercados mais exigentes, é a grande jogada mestra. Porque, sejamos sinceros, onde mais se pode ter um estilo de vida invejável com uma dose adequada de mediocridade do que em Angola?
E que dizer das brilhantes políticas corporativas que, de tão envolventes, parecem saídas de um génio do voo rasante? Se não pode sobressair pelo brilho do seu trabalho, ou pior ainda, se o seu brilho ameaça apagar algumas luzinhas trémulas no topo, existe a sempre simpática saída pela porta de trás. É o método infalível: promover a inércia e lembrar aos audazes que o umbral para a excelência é, na verdade, a saída.
Assim, resta-nos adoptar uma abordagem prática: abracemos a nossa nova vocação como promotores inconscientes da mediocridade. Afinal, todos sabemos que trabalhar em Angola é o segredo mais bem guardado para um estilo de vida que nos permite, entre outras coisas, enterrar qualquer impulso incómodo rumo à excelência.
Portanto, se se encontrar como eu, vítima da própria competência, relaxe! Lembre-se de que é melhor ser uma lenda no mercado negro da mediocridade do que uma ameaça no salão e boatos da competência empresarial.
E quem sabe, talvez, o verdadeiro sucesso seja, afinal, o de nos tornarmos extraordinários na arte de saber não fazer bem. Diz um grande amigo meu "Em Angola é importante não saber fazer bem" e parece que de velho adágio, passa a novo, pois ao não nos destacarmos, destacar-nos-emos.
Até a próxima promoção da incompetência.
Manual do Sucesso Corporativo




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