O fenómeno da Stanley Cup
- Mónica Almeida
- Oct 11, 2024
- 2 min read
Updated: Oct 27, 2024
Quando Terrence Reilly, a maravilhosa mente por trás da meteórica ascenção da Crock, deixou o seu posto na conhecida marca de calçado para liderar a Stanley, poucos poderiam imaginar que traria consigo a mesma varinha de condão. Afinal, a Stanley tinha passado décadas a vender modestas garrafinhas térmicas, consideradas úteis, mas francamente pouco apelativas. Contudo, num piscar de olhos (para ser honesta, em apenas alguns anos), Reilley transformou a marca numa sensação global com os seus copos Stanley Quencher.
Como é possível, perguntam vocês?
Do calçado furado aos tumblers estilosos
Primeiro, vamos recordar o que Terence realizou na sua antica casa, a Crocs. Pegou num sapato que mais parecia feito de esferovite, com a reputação de ser a escolha estilística do chef Mario Batali e de poucos mais, e trasnsformou-o num objecto de desejo. Como? Através de colaborações engenhosas e aquela nova jóia preciosa do marketing: notoriedade nas redes sociais. O mesmo princípio foi traduzido para a Stanley. Colaborações co celebridades como Lainey Wilson resultaram na criação de edições limitadas que se esgotaram a uma velocidade de queimar sobrancelhas. O que antes era um vilão feio e repelente tornou-se numa lenda do calçado. E parece que os copos Stanley estão a seguir o mesmo caminho.
Campanhas icónicas e história de durabilidade
A jogada de mestre do marketing chegou quando um vídeo no TikTok mostrou um copo Stanley a sobreviver heroicamente a um incêndio de automóvel. Terrence foi rápido capitalizar esta "publicidade gratuita" oferecendo não só novos compos, mas até mesmo um carro novo à proprietária desafortunada (ou seria afortunada, agora?). Este movimento não só impulsionou as vendas, mas mandou um recado claro: nada nem ninguém é tão resistente e maravilhos quanto os copos térmicos da Stanley.
Planos ambiciosos e apostas no futuro
Ser bom num só produto nunca chega; é preciso conquistar o mundo, ou pelo menos todos os mercados disponíveis. A Stanley não tem intenções de se limitar ao universo dos recipientes para bebidas, preparam-se para expandir o seu alcance a outros territórios - roupas, utensílios de cozinha, talvez até a vinhos refrescados. Afinal, quando se é uma marca aspiracional, o céu é o limite, ou melhor, o conteúdo digital é o novo céu.
Uma lição de rebranding
A história não é única ao cativante copo Stanley. Vimos outras marcas a refrescar a sua imagem, volteando da funcionalidade para o hype. Quem não se lembra da Rimowa, a fabricante alemã de malas, que sob a batuta da poderosa L.V.M.H. se transformou numa escolha fashion graças a colaborações estratégicas? Até mesmo a Yeti, conhecida por geleiras robustas, girou o seu leme para copos e acessórios, tornando-se a vanguarda do campo de diversões.
Portanto, caros leitores, a mora da história é esta: na era moderna do capitalismo da internet, transformar produtos antiquados em sensações elegantes não é apenas possível, é quase obrigatório. As marcas devem agora aspirar a capturar a imaginação universal através de estratégias digitais astutas e um tanto arrojadas. E, se a Stanley e Terrence Reilley nos ensinaram algo, é que mesmo a peça mais comum pode ascender às alturas da desejabilidade com a estratégia certa. Uma ode ao marketing de habilidade astuta e à máxima: se podemos imaginar, não estaremos já a vender?




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