Metade do país está fora do sistema: o marketing como motor de inclusão financeira
- M.

- há 4 dias
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Há um cliente que o marketing financeiro angolano raramente retrata: o que nunca entrou numa agência. Não aparece nas campanhas, não é convidado para os eventos, não recebe as newsletters. E no entanto é, de longe, o maior segmento do mercado: cerca de metade do país está fora do sistema financeiro formal.
A Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025-2027 pôs o tema na agenda pública. Mas a inclusão não se decreta: comunica-se. Produto a produto, mensagem a mensagem, confiança a confiança. E é aqui que o marketing tem um papel de inclusão financeira que os planos estratégicos raramente lhe reconhecem.
O que a adopção digital já aprovou
A revolução silenciosa já começou, e não começou nos balcões: os canais digitais - com o Multicaixa Express à cabeça - passaram a concentrar a esmagadora maioria das operações electrónicas do país, com números de transacções a crescer a dois dígitos largos ao ano. A lição para os marketers: quando a proposta é simples, móvel e imediata, o angolano adopta... e depressa.
Comunicar para quem desconfia
Linguagem primeiro. "Spread", "TAEG", "colatoral" - o vocabulário do sector é uma barreira de entrada. Quem traduzir finanças para o português do dia-a-dia (literal e figurativamente) ganha o mercado que os outros intimidam.
Prova social próxima. Para quem desconfia de instituições, o testemunho que convence não é influenciar - é o vizinho, a irmã, o colega da praça. Campanhas de referência e histórias reais valem mais do que a produção cara.
Educação como produto. Conteúdo que ensina a poupar, a evitar burlas e a usar o telemóvel como carteira cria a relação antes da conta. É o funil mais longo — e o mais sólido.
O primeiro passo pequeno. Ninguém passa de excluído a cliente premium num salto. Produtos de entrada simples, sem custos escondidos, comunicados sem asteriscos, são a porta: e a reputação da marca é a chave.
A oportunidade estratégica
Os bancos que tratarem a inclusão como mercado, e não como obrigação regulatória, vão construir carteiras de clientes que crescerão com eles durante décadas. Os que continuarem a disputar os mesmos 30% bancarizados vão pagar cada vez mais caro por cada cliente roubado ao vizinho. A matemática é essa, e o marketing é o instrumento.
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